quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Deixar o bebê chorando pode prejudicar o desenvolvimento do cérebro, dizem especialistas


Neurobiólogos dizem que altos níveis de cortisol, hormônio do stress, são nocivos para o desenvolvimento cerebral, de acordo com Penelope Leach.

Deixar um bebê aflito chorando regularmente pode ser prejudicial ao cérebro em desenvolvimento, de acordo com a especialista em educação infantil Penelope Leach, cujo novo livro será visto como uma confronto direto às teorias de condicionamento de bebês, tais como Gina Ford , que dizem que os pais devem "treinar" os seus filhos, permitindo-lhes chorar sozinhos para dormir.

Leach traz a ciência em seu auxílio, que ela diz ter progredido consideravelmente nos últimos anos. Usando testes de saliva, os cientistas foram capazes de medir os níveis elevados do hormonio de stress, o cortisol, em bebês cujos choros/gritos desesperados não obtiveram resposta da mãe, pai ou outro cuidador. Neurobiólogos dizem, segundo Leach, que os níveis de cortisol elevados são nocivos para o cérebro em desenvolvimento.

"Não é uma opinião, mas um fato que é potencialmente prejudicial deixar os bebês chorando. Agora nos sabemos disso, por que arriscar?" Leach diz em seu livro - The Essential First Year – O que os bebês precisam que os pais saibam.
Ela não esta dizendo que o choro é ruim para os bebês. "Todos os bebês choram. Alguns choram mais do que outros." Mas o choro, no primeiro ano ou mais, é a única maneira que um bebê obter uma resposta. Negar uma resposta, argumenta ela, pode ter consequencias emocionais a longo prazo.

"Estamos lidando com as expectativas de que o cérebro de um bebê está crescendo. A razão pela qual os bebês criados em regimes de rotina rigida dormem, geralmente com menos e menos choro, é porque eles desistem de obter resposta dos cuidadores mais e mais rapidamente. Seu cérebro adaptou-se a um mundo em que eles não são respondidos ", diz ela. "Esse tipo de ansiedade precocemente induzida pode estar relacionada com a tendencia à ansiedade na vida adulta."

As teorias de Ford sobre educaçao infantil tendem a ser amadas ou odiadas. Conhecida como a Rainha da Rotina, Gina Ford - uma babá treinada que não teve filhos - defende rotinas rígidas para treinar a criança em um padrao regular de alimentaçao, acordar e dormir. Ela aconselha que os pais podem deixar um bebe chorar por um tempo, se ele está limpo, alimentado e arrotou. Quando eles colocarem um bebê pra dormir à noite, eles podem retornar se ele chorar, mas sem fazer contato visual. O livro Contented Little Baby foi publicado em 1999 e continua a ser um best-seller.

Mas Leach diz que bebês choram por um motivo - seus pulmões não precisam de exercício. Os bebês não tem capacidade de fazer chantagem em seu primeiro ano ou 1 ano e meio, embora os pais muitas vezes interpretam seus chamados dessa maneira. E deixá-los chorando para dormir é muito duro para os pais também”, diz ela.

"Se há um motivo para escrever este livro é mandar a mensagem de que todo o processo pode ser muito mais confortável para os bebês e para os pais", diz ela.
"Isto é o que eu não aprecio sobre as teorias opostas, que enfatizam sempre a facilidade dos pais. É tão difícil para todos. Nós não temos muitas pesquisas mostrando que tantas crianças de sete anos de idade estão desesperadamente mais ansiosas. Mas eu tenho visto mães realmente lutando com o sistema de deixar chorar. "

Ela diz que não conhece nenhuma pesquisa no mundo que suporte um sistema de deixar os bebês chorar. "Eu não acredito que é a ciência", diz ela.

Ela entende a atração das teorias de Ford e outros. Ser um pai no mundo moderno, onde o ritmo de vida é implacavelmente rápido, é muito difícil, diz ela. Alguns querem saber como podem fazer seu bebê encaixar-se em suas vidas, ao invés de perturbar-lhes, tão rapidamente quanto possível.

Mas, diz Leach - reconhecendo que é contraditório - "Se você realmente, realmente não quer um bebê que faça qualquer diferença, você poderia nao ter um."

Leach é uma pesquisadora senior honoraria na Clínica Tavistock e do Instituto de Estudos da Criança, Familia e Questões sociais. Ela tem co-dirigido o maior projeto de investigaçao do Reino Unido sobre diferentes formas de cuidar des criança menores de cinco anos. Seu trabalho de pesquisa, diz ela, tem mostrado que ter uma mãe, pai ou cuidador que responde ao bebê é um fator crucial no seu desenvolvimento, superando os efeitos da pobreza e da desigualdade.
"Nós descobrimos nossa própria investigação do cuidado da criança. Seguimos 1.200 pares de mães e bebês desde o nascimento até a escola estadual. Ficamos surpresos ao descobrir que as diferenças nos cuidados da criança não fazem tanta diferença quanto o esperado. O que faz a maior diferença é a capacidade de resposta do cuidador ".

Ela não está falando sobre a mãe que não pode ir para a cama por cinco minutos depois que o bebê começou a chorar e ela não està, de verdade, acusando as mães de uma geração anterior que deixaram o carrinho na parte inferior do jardim, de negligenciar seus filhos.

"Mas você pode dizer pelo som e, é claro, pelo que se observa, se um bebê tem choro intenso e de extrema angustia ", diz ela.

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