sábado, 13 de agosto de 2011

Relato de Parto Normal da Alessandra R. Santos


Conheci a Alê em uma comunidade do orkut, pois temos uma história em comum, que passamos pelos nossos partos. Ela prontamente quis fazer este relato para alertar todas as futuras mães, para que não passassem pelo mesmo que ela. Tenho certeza Alê, que ajudará sim!! Obrigada!
Alessandra e Samanta
Relato de Dois Nascimentos


Depois de um alarme falso na sexta-feira 13, passei o fim de semana apreensiva, acreditando que Samanta nasceria a qualquer momento ... mas não foi bem assim.

Na noite de domingo as contrações começaram a ficar mais doloridas, estava na cama assistindo seriados no computador e ignorei as contrações, não queria saber se estavam regulares ou não, afinal, ainda estavam suportáveis e toda vez que começava a cronometrar ficava nervosa.
Dormi bem, até às 3 e pouco da madrugada... acordei com uma PUTA contração, vindo das costas, parei e esperei pra voltar a dormir, mas vieram mais 3 em menos de 10 minutos. Levantei pra ir ao banheiro e vi sangue seco na calcinha (sacanagem, tinha que manchar a calcinha que usei no meu casamento?!)... tomei banho e continuei sentindo as contrações... rebolava, agachava, mas a água quente não estava adiantando muito a essa altura ...
Saí do banho e comecei a cronometrar, contrações com intervalos de +/- 5 minutos. Depois do mico da sexta-feira 13, resolvi esperar pra ver se continuava e só acordei meu marido por volta das 5:30 da manhã. Não quis que chamasse a ambulância do hospital, resolvi ir andando pra ver se a coisa engrenava... resultado: NADA! A médica que me examinou disse que não viu sangramento nem contração (detalhe: tive 3 contrações enquanto estava sendo examinada!). Como teria consulta com a obstetra naquela tarde, voltei pra casa, mas as contrações estabilizaram de 30 em 30 minutos.

Fui a consulta sentindo dores... só aliviava se agachasse, mas como fazer isso no meio da rua?! Novo toque, nada de dilatação, colo apagando, o sangramento era o tampão saindo. A data prevista pro parto era no dia seguinte, mas a médica continuou com a conversinha mole: "Se não entrar em trabalho de parto até sexta-feira, faremos a cesárea", "Não induzo primigesta", "Não vou poder fazer seu parto pelo SUS essa semana..." ... blá-blá-blá ... Pra cortar logo a médica, dissemos que iriamos pagar o parto particular. Incrível como o rumo da conversa mudou ...

As contrações iam e vinham em intervalos de 30 minutos, relaxei em casa, tomei váááááários banhos quentes e tentei aguentar minha mãe achando um absurdo eu estar em casa, que deveria estar no hospital (FAZENDO O QUE?!?!).

Madrugada do dia 17 de novembro, data prevista pro parto, acordo às 3:40 da manhã com contrações cada vez mais fortes ... Comecei a cronometrar, aproximadamente 10 em 10 minutos (8, 7, 5, 12 ...) e resolvi não voltar ao hospital.
Fiquei cronometrando o dia inteirinho e nada mudou (a não ser a intensidade da dor). Meu marido trabalhou o dia inteiro e só voltou tarde, eu já tinha tentado de tudo, banho, bolsa de água quente, Buscopan... avisei que estava ficando foda de aguentar a dor nas costas.

2:40 da manhã, 18 de novembro de 2009 ... CHEGAAA, NÃO AGUENTO MAIS ESSA DOR NAS COSTAS, VAMOS PRO HOSPITAL! Liguei pra médica e chamei a ambulância do hospital (uma Fiat que mais parece pipoqueira por causa dos paralelepípedos). PQP! Como dói ter contração dentro de um carro, principalmente numa rua de paralelepípedo!!!
Cheguei no hospital 10 minutos antes da médica. Novo toque: 3 cm de dilatação!!! Ela estourou a bolsa e começamos a aguardar. Logo cheguei a 5 cm, meu marido massageando minhas costas, as enfermeiras me elogiando por estar tão calma, por não gritar, aconselhando a fazer força durante as contrações pra acelerar a dilatação...

5:40 da manhã eu já estava perdendo o controle do meu corpo por causa da dor. Novo toque: 7 cm de dilatação... DOUTORA, ME DÁ ALGO PRA DOR, TO PERDENDO O CONTROLE!!!

Depois de muito insistir ela mandou injetar algo no meu braço pra amenizar a dor... só sei que só me lembro de pedir pro meu marido fazer massagem durante as contrações, minhas costas doíam MUITO. Ele fala que já estava com contrações de 1 em 1 minuto (coitado, tava no piloto automático também).
9 da manhã: 8 pra 9 cm de dilatação, soro com 8 gotas de remédio pra acelerar o processo, vamos esperar no consultório pra ir pra Sala de Parto com 10 cm de dilatação... Esperar coisa nenhuma, a enfermeira viu os cabelinhos da Samanta e me levou pra Sala de Parto.

9:30 da manhã: Aí sim começou o suplício... a médica não foi nada compreensiva por ter ficado a madrugada inteira no hospital. Totalmente bruta fez o corte da epsio e ainda arregaçou com a mão. Eu reclamava de dor, não do parto, mas da brutalidade da médica, e aquele monte de gente a minha volta me mandando fazer força, forçando meu corpo. Minha cabeça doía de tanto tempo sem comer e de tanta força... 2 forças e senti um pock, a cabeça saiu. A médica mandou chamar meu marido antes de puxar o corpinho da Sam pra fora... eu estava tão grogue de sono e pelo remédio que tudo era meio etéreo.
Colocaram a coisa mais linda do mundo em cima da minha barriga, toda suja de sangue, com os olhos abertos e chorando. Primeira frase do pai quando saiu do transe: " Tem olho azul!"

Tiram minha menina de perto de mim, começa a maldita massagem pra extrair a placenta, depois pra tirar os coágulos de sangue que tinham no meu útero, costura na epsio... Samanta foi levada pro berçário e eu pro quarto... APAGUEI.
Depois disso tudo foi mais calmo. Tomei banho, amamentei a Sam sem problemas e tive alta no dia seguinte de manhã. 

Samanta nasceu para esse mundo às 9:45 da manhã do dia 18 de novembro de 2009, com 2,695kg e 46cm, Apgar 8/9. Eu nasci como mãe algumas horas antes, enquanto controlava meu corpo pra trazer minha filha ao mundo da forma mais natural possível... como se tivesse algo de natural em parir num hospital... rs

Alessandra mãe da Samanta!

4 comentários:

  1. Um momento que seria considerado o auge da vida de uma mulher, é estragado por esses médicos. Claro que não são todos, existe uma minoria que ainda luta pela qualidade no parto. Mesmo quando eu estava com 4cm de dilatação, e contrações de 15 em 15 minutos, lá pelas 38 semanas, já queria me enfiar no sorinho, e eu disse que não, que queria esperar mais um pouco (tinha ido ao hospital por causa da pressão alta e esperava o resultado dos exames para ver se não era eclâmpsia). É muito descaso, muita incompetência. Já é assim pelo particular, SUS então, nem se fala!
    Bjus Ana e bjus para a Alê

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  2. Que tristeza! Que equipe péssima! Porque você não trocou de médica quando viu a incompetência dela em reconhecer suas contrações e ouviu aquelas ameaças??? Eu teria mandado ela se fuder na hora!
    Aliás, já mandei a minha médica se fuder, quando ela me disse que eu não teria condições de ter um PN, sendo que nem grávida eu estava! Agora eu tenho um médico humanizado, que respeita meu corpo (eu pago ele pra isso, pô!)
    Só recomendo uma coisa Alessandra, da próxima vez, tenha uma doula com você, em muitos casos ela ajuda esse tipo de coisa a não acontecer...
    Beijos

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  3. Adéle, infelizmente essa era a melhor médica aqui da região... a médica que disse que eu não estava tendo contração foi outra, que estava de plantão no dia (médica essa que fez uma amiga perder a filha aos 6 meses de gestação por conta de uma pré-eclampsia).
    Onde moro não tem doula e tive sorte de ter meu marido comigo e da minha mãe ter pago o parto particular, pois meu marido que trabalhava no hospital (único hospital da cidade) foi demitido uma semana antes do parto.

    Próxima vez??? Não, obrigada. Samanta vale por múltiplos! rsrsrs

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  4. É Adèle!! Às vezes, em algumas cidades não há opção MESMO!! Mas espero que essa realidade mude logo!

    Bjoo

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