quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Dia Internacional da Não Violência Contra as Mulheres - 25 de novembro

Quem quiser e puder contribuir com a pesquisa, o faça! É muito importante ter estes dados! Pesquisa por Lígia Moreira Sena.
google imagem


Dia 25 de novembro será o Dia Internacional da Não Violência Contra Mulheres. 

Aproveitarei essa data para lançar o convite à participação na pesquisa que estou desenvolvendo como parte do meu doutorado em Saúde Coletiva. 

Aí embaixo vai um texto explicando o que é essa pesquisa, o que ela visa estudar e como pretendemos que ela seja feita. Se você conhece uma mulher que tenha se sentido desrespeitada de alguma forma, no tratamento recebido em seu parto, por favor divulgue. Se você for essa mulher, conheça mais a pesquisa. 
Muito obrigada.

Existem formas de violência que vão além da força física e que, ainda assim, podem ser ainda mais agressivas, mais dominadoras, mais opressoras, pela sutileza com que se escondem no contexto institucional, nas relações sociais e nos significados simbólicos. É a ocorrência e a natureza de um desses tipos de violência, ou de práticas desrespeitosas, que ocorrem em instituições de saúde que queremos alcançar com esta pesquisa: a violência e o desrespeito vivido por mulheres em trabalho de parto, parto e pós-parto imediato. Uma forma de violência que não é conscientizada como tal e que representa, de certa forma, um processo de dominação. Muitas vezes, atitudes de violência, desrespeito e maus tratos são observadas contra mulheres em trabalho de parto e parto sem ao menos que os profissionais de saúde percebam que estão agindo assim. São ações e condutas encaradas como “normais” e rotineiras. Essa violência pode ser expressa, de acordo com alguns pesquisadores, desde a negligência na assistência, discriminação social, violência verbal – tratamento grosseiro, ameaças, reprimendas, gritos, humilhação intencional – e violência física, até o abuso sexual. Outras pesquisas também incluem como um tipo de violência o uso inadequado de tecnologia, com intervenções e procedimentos muitas vezes sem a real indicação, resultando numa cascata de intervenções com potenciais riscos e sequelas, físicos ou emocionais.
Consideramos como formas de violência ou tratamento desrespeitoso, nesta pesquisa, todo e qualquer processo, de ordem física ou psicológica, que tenha ocorrido sem consentimento da mulher em trabalho de parto, parto e pós-parto imediato; que tenha ocorrido de maneira abusiva; que tenha causado situação de embaraço ou constrangimento para a mulher; que represente intrusão de privacidade; que tenha representado ameaças de qualquer espécie proveniente do profissional da saúde e dirigido à parturiente e/ou seus acompanhantes; uso de relações de poder para impor práticas injustificadas; uso de palavras ofensivas e desrespeitosas ou de ironia e escárnio dirigidas à parturiente e/ou seus acompanhantes; e outras práticas que tenham sido problematizadas pelas mulheres que viveram situações de violência, desrespeito ou maus tratos e interpretadas como tais pelas mesmas.
Uma pesquisa realizada em 2010 revelou que uma em cada quatro brasileiras relata ter vivido situações de violência e desrespeito em seus partos. Nós queremos ouvir essas mulheres, conhecer os contextos desrespeitosos de parto que viveram, saber como isso foi interpretado por elas, sua percepção desta vivência.  E vamos usar as ferramentas da internet para isso. As entrevistas serão feitas via comunicadores instantâneos da internet que permitam uma videochamada e se iniciarão no primeiro semestre de 2012. Acreditamos que a amplitude que a internet traz facilitará a participação de muitas mulheres, de diferentes locais, inclusive as que estão comprometidas com seus trabalhos ou filhos, ou os dois, que terão a liberdade de agendar as entrevistas de acordo com sua disponibilidade, sem ter que se deslocar a nenhum outro lugar.
O convite à participação na pesquisa será lançado a partir de 25 de novembro, Dia Internacional da Não Violência Contra as Mulheres, estendendo-se durante todo o desenvolvimento desta pesquisa, que pretende se encerrar em 2015. Nesse convite, mulheres que tenham se sentido desrespeitadas em seus partos poderão inserir seus e-mails de contato e serão contatadas para que maiores informações sobre a pesquisa sejam fornecidas. A pesquisa faz parte do desenvolvimento do doutorado em Saúde Coletiva de Ligia Moreiras Sena, que está sendo realizado na Universidade Federal de Santa Catarina, no Departamento de Saúde Pública.

Fonte:  http://www.cientistaqueviroumae.com.br/2011/11/dia-internacional-da-nao-violencia.html

3 comentários:

  1. Eu gostaria de participar da pesquisa. Como já relatei, a minha epsio foi feita sem o meu consentimento. Creio que só não sofri mais desrespeito no hospital, por que sou branca, de classe média, com ensino médio completo e meu marido é branco com ensino superior completo. Se fossemos um casal negro, acho que teria sido bem pior. Vi uma enfermeira dizendo para uma moça negra que estava com o trabalho de parto avançado, para parar de gritar por que ela "não estava em casa". A mim, foi dito para não gritar por que eu não teria força depois para expulsar o bebê. Sentimos dor, e a única maneira que temos de aliviar um pouco da tensão é gritando, e era "proibido". Além de todas as epsio desnecessárias que eu vi acontecer enquanto eu estava no hospital, havia mães que nem sabiam o que tinha acontecido a elas. É muito triste isso, e é considerado normal. =/

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  2. É Tassi....eu penso, por que fui esquecer meu plano de parto em casa?? mas dai penso outra vez, será que iria adiantar? Num hospital onde de tudo que eu consegui pedir, só o inclinar a cama de parto fizeram?! O que fizeram sem meu consentimento foi deixar o hormônio sintético que colocaram a meu pedido, mas como as contrações haviam apertado novamente, eu não queria mais. Não pude mais levantar, caminhar, ir ao banheiro. Fizeram a manobra de kristeler. Fizeram episiotomia. Mandavam eu não gritar, para ter força e empurrar. Puxaram minha placenta. Fizeram exploração e lavagem uterina, sem me perguntar ou explicar alguma coisa. E na minha filha, fizeram tudo, que eu não queria que tivessem feito com ela. Me perguntam se eu teria outro parto...SIM! Com certeza, depois mesmo com tudo isso, tu esta em pé e consegue cuidar do teu filho, confortar ele de tudo que ele passou!

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  3. Por isso somos nós é que parimos, homens não iriam aguentar nem metade disso.

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