quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Volta ao Trabalho: o que fazer com a amamentação? - por Simone Diniz


Primeira coisa: continue amamentando! Isso é possível, viável, saudável e o fortalecimento do vinculo entre você e seu bebê na volta ao trabalho. E um grande remédio para matar as saudades e aliviar a culpa materna...

Bom seria se todas as empresas aderissem á licença maternidade de seis meses, assim a complementação alimentar começa e a mãe fica mais segura que de que o seu bebê não passará fome. Mas nem sempre a adaptação é um sucesso total, ela é gradual e com grandes desafios para o bebê e o seu cuidador.

A primeira reação do bebê que é separado da mãe tão precocemente é o protesto. Ele tem esse direito! Recusa então muitas vezes a tomar o leite no copinho e a comer novos alimentos. A mensagem que ele passa é única: Eu quero a minha mãe de volta! Quero o seio materno!
Compreender que, não é só para a mãe um processo doloroso e de grandes dúvidas, mas igualmente para o bebê, significa enxergar esse bebê como um ser de vontades e desejos próprios. Ele quer a mãe, deseja a sua mãe. Nada ninguém poderá substituir essa realidade. Já não vivemos mais o conceito de que: eles são pequenos, não entendem e vão se acostumar. Isso já e um conceito ultrapassado, o que falamos é: eles compreendem tudo, protestam e finalmente, se condicionam...

Há diversas razões para esperar a introdução alimentar aos seis meses. Segundo a OMS, o intestino frágil e delicado do bebê finalmente matura, ele passa a sentar e o esôfago ficar ereto e aos poucos, começa a desenvolver habilidades motoras com as mãos. Antes disso, os riscos de alergias, diarreias, constipação são quase inevitáveis. Há tempo para tudo na vida de um bebê e esse tempo, precisa ser respeitado.

Infelizmente ainda não temos uma política que determine que todas as instituições de cuidado a criança recebam o leite da sua mãe. Falta profissional qualificado, treinamento e armazenamento correto deste leite para congelamento, degelo e oferecimento no copinho, tudo isso para garantir ao prolongamento da amamentação. E, enquanto isso não se torna lei, mães empoderadas podem e devem conversar com os cuidadores dos seus bebês: trazer informações e conhecimentos convincentes e assim, empoderar o seu meio para que todos os envolvidos a apoiem em sua escolha pelo bem do bebê principalmente.

A mãe precisa se amparar na Lei de Apoio à mãe trabalhadora e, se voltar aos 4 meses ou menos, deve ordenhar suas mamas duas vezes ao dia, no intervalo de 15 minutos cada. Isso além de ajudar a aliviar as mamas até que a produção se estabilize (porque ela irá estabilizar e o seu corpo ira produzir exatamente a quantidade e na hora que o seu bebê precisa!) e que seja garantido o aleitamento exclusivo até o sexto mês.

Outro comportamento em desuso é a necessidade de introduzir outro leite. Se o bebê mamou exclusivamente até este momento, outros leites como o artificial e o animal são completamente dispensáveis! Seu leite já cumpriu e está cumprindo o seu papel nutricional e continuará cumprindo com excelência. A necessidade de reposição de ferro pode ser totalmente suprida por uma introdução alimentar rica e balanceada. Então outros leites estão definitivamente fora de questão.

Você pode antecipar a ordenha e armazenamento duas semanas antes da volta. Isso para você se familiarizar com o processo da ordenha, e armazenar uma quantidade que te deixe tranquila. Faça isso aos poucos, tirando antes das mamadas e congelando em um pote de vidro com tampa de plástico. Várias ordenhas podem ser armazenadas neste mesmo pote, atentando sempre para a primeira data do armazenamento. No freezer até quinze dias, na geladeira, 12 horas.

Depois, a demanda se estabiliza e você pode começar a ordenhar pelas manhãs, durante o trabalho, e amamentar á noite seu bebê. O leite da manhã fresco pode se apenas refrigerado e ser aquecido em banho maria na temperatura corporal por volta de 37 graus antes de ser oferecido ao bebê no período da manhã. O que sobrar, despreze. No trabalho e necessário congelar, para suportar o tempo de transporte. Se tiver um freezer disponível no trabalho, ótimo, senão, use bolsa térmica com bolsinhas de silicone até chegar em casa. Esse precisa ir para o freezer, pois será a ordenha do seguinte.

Sobre a ordenha, muitas mães tem grande habilidade de fazer manualmente. Mas isso demanda tempo, e para auxiliar as mães, a bomba elétrica é rápida e pode ajudar muito nesse processo. Há empresas que fazem a locoação das mesmas, já que o seu uso é apenas por um tempo.Procure um lugar apropriado para ordenhar no trabalho neste período. Logo a demanda e produção se estabilizam e tudo fica mais fácil.

A volta para casa significa o momento de revinculação com o seu bebê. Momento fundamental de conforto emocional para ambos. Vale a pena dedicar alguns momentos para isso. Seu bebê fica feliz, e você também. Muitos bebês sinalizam que precisam um pouco mais desse momento e quando ainda são muito pequenos, antes de um ano, dormir com o bebê pode ser sinônimo inclusive de descanso para você. Os hormônios da amamentação são comprovados na boa qualidade de sono para a mãe. Você descansa mais e seu bebê também, pois ambos estarão exaustos depois de um dia de trabalho. Adaptar o berço ou uma caminha e até colchões podem fazer da cama compartilhada um momento de descanso e paz para a vida da família. Isso não dura uma eternidade, mas é fundamental para o momento que o seu bebê está atravessando.

Não se preocupe muito com a quantidade ordenhada. Um bebê em livre demanda desde o seu nascimento, regula aquilo que necessita e se você tira pouco ou muito na ordenha, isso significa o quanto que é produzido realmente para a necessidade dele. Não se preocupe, ele compensa isso quando estiverem juntos.

Por que o copinho? Porque ele também é uma importante ferramenta para o apoio a amamentação prolongada. Ele não causa confusão de bicos e também não é um risco para a formação facial do bebe. Ele é importante e os bebês não têm grandes dificuldades para se adaptarem.

Envolver o pai, a família, amigos e cuidadores nesta grande "operação" pró aleitamento é fundamental, pois toda a sociedade precisa estar atenta à esta prática fundamental onde todos os esforços em conjunto de pessoas que tem um vínculo emocional com este bebê é a consciência de preservação de uma excelente prática com resultados futuros muito promissores.

E por fim: seja feliz com a sua escolha! E possível voltar ao trabalho e continuar amamentando! Todo o esforço, organização e planejamento valem muito a pena. Lembre-se: o motivo é nobre e merece toda a nossa dedicação e amor. Este momento é único na vida de um bebê e fundamental para toda a sua vida futura.

Amamentem seus bebês mamães!

Fonte: Simone De Carvalho - consultora em aleitamento materno (retirado do grupo AMS)

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